Obrigatoriedade OGR 2028:
o que muda para quem gera óleo usado
Faltam 14 meses para a virada. A Portaria MME/MMA nº 3/2026 vai obrigar o uso de ≥1% de óleos e gorduras residuais (OGR) na produção de biodiesel. O que isso significa para supermercados, restaurantes, indústrias e outros geradores de óleo usado?
O que diz a portaria
Publicada em maio de 2026, a Portaria Interministerial MME/MMA nº 3/2026 estabelece que, a partir de 1º de janeiro de 2028, os produtores de biodiesel, SAF (combustível sustentável de aviação) e diesel verde que utilizam óleos e gorduras como matéria-prima devem incorporar no mínimo 1% de óleos e gorduras residuais (OGR) em sua produção.
O percentual é voluntário em 2026 e 2027, e se torna obrigatório em 2028. Mas o mercado já está se movendo: a Petrobras investiu R$ 23 milhões na estruturação de redes de coleta de OGR em São Paulo e na Bahia. As usinas estão se preparando — e quem gera óleo usado está sentado sobre uma matéria-prima cada vez mais disputada.
Por que isso importa para seu negócio
Se sua empresa gera óleo de cozinha usado (fritura), gordura vegetal, margarina vencida ou qualquer resíduo com alto teor de gordura, você tem três cenários pela frente:
🔥 Cenário 1 (quem age agora): contrato de coleta garantido
Fechar um contrato de coleta programada hoje significa preço estável, prioridade no agendamento e certificado de destinação (escudo legal perante ANVISA e CETESB). Enquanto o mercado não está disputado, o gerador negocia de igual para igual.
⚡ Cenário 2 (quem esperar 2027): preço sob pressão
Com a obrigatoriedade batendo na porta, as usinas vão disputar cada litro de óleo usado disponível. O Brasil coleta hoje 180 milhões de litros de UCO/ano, mas o potencial é de 600 milhões — 70% do mercado está inexplorado. Quem não tiver contrato vai disputar spot com preços voláteis.
❌ Cenário 3 (quem ignorar): passivo ambiental e risco legal
Sem contrato de coleta com certificado, o gerador mantém o passivo ambiental no CNPJ (Lei 12.305/2010 — PNRS). Um bilhão de litros de óleo vão para o ralo todo ano no Brasil. Cada litro contamina até 25 mil litros de água. A responsabilidade é do gerador, não do coletor.
O mercado já está se movendo
- Diesel B16 desde março/2026: o diesel brasileiro já tem 16% de biodiesel — mais biodiesel = mais demanda por UCO.
- Mercado global de UCO: US$ 8 bilhões (2025) com projeção de US$ 15 bilhões. O óleo usado virou commodity energética.
- Exportação para os EUA: o Brasil passou a exportar UCO para os americanos, que importaram 1,4 milhão de toneladas em 2023 (US$ 1,66 bilhão).
- SAF (combustível de aviação): a Lei 14.993/2024 (Combustível do Futuro) criou o mandato de 1% de SAF a partir de 2027, subindo para 7% em 2034 — tudo produzido a partir de óleo usado.
- Top 3 do interior SP já negociam: Savegnago (R$ 7,98 bi), Pague Menos (R$ 4,33 bi) e Tauste — as três maiores redes do interior paulista — já abriram canal comercial conosco para coleta programada.
O que fazer agora
- Levante seu volume: quantos litros de óleo de cozinha usado ou gordura vegetal sua empresa gera por mês?
- Escolha um parceiro de coleta certificado: com contrato, bombonas, certificado de destinação e rastreabilidade (MTR).
- Feche o contrato antes da corrida: com 14 meses pela frente, quem agir agora define as condições.
Seu óleo usado merece um novo destino.
Conte o que sua empresa gera. Nós avaliamos o material e combinamos os próximos passos.
